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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A MORAL DO CRISTO






E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

Mateus 10:42

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Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho.

Em todos os seus ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, disse ele, os pobres de espírito, quer dizer, os humildes, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros.

Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e ele mesmo dá o exemplo; orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater; mas faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura.


(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV)


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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ENTRAI!... [ Eu sou a porta ]






Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 5


ENTRAI


Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

João 10:7-9
Jesus Cristo


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Se nós precisamos desconectar os pontos de dificuldade que nos prendem à retaguarda, objetivando a abertura das comportas que nos projetem para o futuro, fica evidente que enquanto não tivermos a chave do reino dos céus a gente não consegue ter a chave do inferno. Ou seja, essas chaves da morte e do inferno precisam estar associadas com as chaves do céu.

Esse é um detalhe importante, e quando a gente pega essas chaves, quando as temos nas mãos é uma tranquilidade grande.

O mestre diz: “Entrai,... eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” Deu para perceber o grande segredo? O texto em questão principia-se com um imperativo apontado por Jesus: Entrai!

E o sofrimento nosso de certa forma é mantido enquanto insistimos em nos manter na inversão dos verbos. Ou seja, por determinados dispositivos religiosos periféricos nós ficamos muito envolvidos no sair.

Queremos sair das dificuldades, ficamos ansiosos em sair, mas não se sai dessa morte e desse inferno sem entrar em algum lugar. Como não existe vácuo em todo o universo ninguém sai de algum lugar sem entrar em outro lugar.

O essencial é entrar.

O grande segredo da desvinculação é a vinculação, nunca a desvinculação sem a sintonia com uma meta no outro lado da dualidade. O materialista pode sair das suas posses e entrar em desespero ou no arrependimento.

“Não aguento o meu emprego, não suporto o meu patrão. Não fico lá nem mais um dia”, você diz consigo. Pode sair do emprego que te desconforta e entrar no desemprego. Pode sair do vício do cigarro e entrar no da bebida. Pode sair de um estado de alma e entrar em outro pior. Pode sair de casa, brigado com tudo e com todos, e adentrar em uma situação bem mais complicada.

Porque aquele que sai normalmente se fanatiza, radicaliza, ele não consegue sair direito nem entrar. Tem pessoas que saem das complicações, mas não entram.

Muitos insistem em sair para entrar, o que significa perder determinada condição de vida, e perder para depois conquistar faria de nossas vidas um constante vale de lágrimas.

O evangelho propõe entrar em uma nova dimensão para sair da antiga, e a gente sai de modo honrado, de modo tranquilo, sem escândalos.

Vamos pensar nisso. Vamos entrar para sair. Entrar em uma proposta nova definindo um estado diferente de equilíbrio e harmonia.

A entrada em nova faixa, em um novo componente, automaticamente representa a saída do outro território, do outro terreno, isto é, o crescimento consciente pressupõe vincular-se para desvincular.

A porta é ver, e nós já estamos cansados de visualizar a porta. Os componentes evangélicos nós já os vemos com muita propriedade, enxergamos que é uma beleza, visão nítida, todo mundo enxerga, e sem precisar usar os óculos.

Porém, a conquista efetiva vai depender da obra, da ação, do movimento, da dinâmica.

Sem contar que porta dá idéia de entrar. E aí entra a grande questão, a nossa luta é estarmos demorando a entrar. Nós passamos, olhamos, tornamos a passar: “a porta está lá, estou pensando, sei lá se eu entro.” E haja pensamento.

Pois ela é estreita e exige determinadas doses de alterações em nosso psiquismo de mudanças, de hábitos, de uma metabolização de um material alimentício diferente.

Realmente tem sido muito desafiador para todos nós. Mas não tem jeito, a proposta é entrar, é a entrada que garante a paz e essa entrada é um desafio.

Para começar, precisamos deixar de esperar que os anjos venham até nós para resolver os problemas que são de nossa competência solucionar, precisamos aprender a reclamar menos, trocar a reclamação pela operacionalização.

O processo não é esperar, é ir ao encontro. Todos somos diariamente constrangidos à ação e pelo que fazemos é que cada qual decide quanto ao próprio destino, criando para si a inquietude descida à treva ou a sublime ascensão à luz.

É certo que vida é um processo de eleição pessoal, e que ainda adoramos a vida complicada que a gente leva, porém, se o fruto é aquilo que dimana da gente vamos cuidar da parte que nos compete e “seja feita a vossa vontade”.

O entrar é referência ao mecanismo seletivo de decisão e está para além do processo de sintonia vibracional. Afinal, responsáveis por nossas decisões, essas escolhas devem ser sedimentadas ao nível das atitudes, ao nível da ação, porque é a ação que nos possibilita a desativação dos campos de infelicidade.

Sempre temos uma linha que sugere um plano tríplice e sempre estamos no ponto intermediário. Ou seja, no alto, a etapa ou a faixa superior (de cima) é onde recebemos as orientações, os influxos orientadores.

Então, os planos de percepção são para cima e o plano operacional está para baixo. E a porta estreita não está apenas em captar valores, está em ter acesso ao valor de cima.

Representa o plano operacional de vida, ela necessita atitude, está para além do ver, pressupõe a aplicação de componentes anteriormente angariados.

De modos que pela aplicabilidade passamos a ter uma linha de ressonância, abrindo uma porta e entrando nela, o que define que passar na porta é algo reservado a quem opera, a quem faz, a quem aplica, a quem realiza.

Só aquele que aprende pelo conhecimento identifica a porta e pode dizer: “é ali que passa”.


Marco Antônio Galvão


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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O QUE PENSA DEUS SOBRE NÓS?






E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.

Jesus Cristo
Mateus 10:36


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"- Vejam estas ovelhas e cabras pastando nas colinas. As ovelhas estão num lugar e as cabras em outro.

Observem as ovelhas.

São pacientes e pacíficas entre si, mesmo quando estão apertadas num canto do curral.

Pastam tranquilamente, nunca reclamam o terreno que não é seu, deixam o pasto curto, mas não o estragam, o que permite que a grama se recupere depois de passarem por cima dela.

E o que é mais importante, escutam a voz do seu pastor. Portanto, ele cuida bem delas.

Ele as guia para os melhores pastos e dorme junto a elas durante a noite, para que não sejam atacadas por cães e ladrões.

- Agora olhem as cabras, como brigam e saltam sobre as pedras e entram em lugares difíceis ou perigosos.

Devoram as sarças e a folhagem das árvores. Elas são espoliadoras.

Se não fosse por sua utilidade para o homem, não haveria outro lugar para elas a não ser ficarem amarradas o dia todo ou serem enviadas para o deserto.

Vejo-os aí embaixo e sei que no meio de vocês há muitas ovelhas - e que também há muitas cabras".


(CARTAS DE CRISTO, CARTA 3, p. 107).


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Bem-aventurados...






E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.
Mateus 10:38


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Bem-aventurados são quando estão envolvidos em conflito e ainda assim podem ser compassivos com o próximo e ser os pacificadores. Levam no coração o amor que vem do “Pai” e realmente são filhos do “Pai”.

Bem-aventurados são quando, mesmo sendo profundamente injustiçados, ainda assim podem perdoar e demonstrar misericórdia, abstendo-se de buscar justiça ou perseguir a quem os tenha insultado.

Coloquem-se diretamente em sintonia com o amor que é “Deus-ativo-em-vocês” e da mesma forma serão poupados nos momentos de dificuldade.

Os mais abençoados de todos são os puros de coração, porque estes se livraram de toda a raiva, ódio, vingança, maldade, inveja e dureza de coração – e estão diante do mundo como o Amor-feito-visível.

Eles vão conhecer a Realidade chamada “Deus” e saberão que a Realidade é o “Pai” dentro deles.


Cristo, Carta 2


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domingo, 14 de outubro de 2012

[ Com que rapidez nos esquecemos da Verdade! ]






Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.


Mateus 11:28-30


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Ocorreu-me que poderia “experimentar” novamente a verdade de tudo o que me havia sido ensinado pulando a borda de um precipício, o que encurtaria bastante a minha jornada.

Quando estava a ponto de pular, ocorreu-me fortemente que eu tentava “provar” que meu tempo de iluminação havia sido real.

Se eu precisava de tal prova, era porque estava duvidando e provavelmente me mataria; além do mais, haviam me mostrado que em qualquer situação poderia elevar meus pensamentos até o “PAI CONSCIÊNCIA CRIATIVA” e pedir por uma solução para qualquer problema.

Com que rapidez me esquecia da Verdade!

Então rezei com grande fervor, pedindo perdão por minha fraqueza e por ser indulgente com minhas fantasias, buscando minha própria forma de fazer as coisas.


Cristo, Carta 1


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PERDOA!






Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.

E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

Lucas 17:3-4

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"Quem está em boa paz de ninguém suspeita mal; mas quem vive descontente e inquieto com diversas suspeitas se atormenta; nem vive em sossego nem deixa sossegar os outros."

"Na adversidade é que cada um de nós começa a conhecer o que na verdade é: "

" Que sabe aquele que nunca foi provado? ". (Ecl 34,9)
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A MISERICÓRDIA E A PREDISPOSIÇÃO






A Terra nunca esteve visitada por tanta orientação espiritual como agora. Muitas criaturas têm sido visitadas por lutas, embora o sorriso que apresentem, no entanto, acima delas existe amparo superior. Sim. O componente máximo doador é o criador e a misericórdia distribui dádivas em todo universo.

Não há pai, em tese, que não queira o melhor para o filho. E são tantas as expressões da misericórdia divina que nos cercam o espírito, em qualquer plano da vida, que basta olharmos a natureza física ou invisível para sentirmos em torno de nós aluvião de graças. Dessa forma, rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção.

Na infinita bondade, Deus oferece-nos recursos para o saneamento de nossas próprias complicações e a salvação é atributo dessa misericórdia para conosco.

Na equação de nossos débitos dependemos da misericórdia, e a felicidade reside em saber que podemos estar no fundo do poço, porém, ligados à fonte básica da luz em Deus.

A misericórdia de Deus preenche todos os espaços, não está a uma grande distância de nós, por ser onipresente.

A misericórdia tem falado alto e a sua bondade abraça a todas as almas, o criador salva a todos. Isso mesmo, o plano superior jamais nega recursos aos necessitados de toda ordem, ninguém permanece abandonado, os mensageiros de Jesus socorrem sempre nas estradas mais desertas.

A vida é um processo de eleição pessoal e todos nós elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar. Por isso, nessa ou naquela fase da evolução, discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate, são frutos de nossa escolha.

Nós sempre temos bons amigos na zona superior àquela em que nos encontramos, todavia, em certas circunstâncias afastamo-nos voluntariamente deles.

Então, os prepostos de Jesus podem edificar o mesmo trabalho de sempre, todavia, encontram perturbação e resistência dos próprios beneficiados, razão pela qual a fonte de energias puras não pode ser responsabilizada por fenômenos que a deturpam.


E vamos notar que quando a justiça chega, porque semeamos inadequadamente, ela não pede licença, ela vem! Ela não diz a alguém: “Olha, você se prepara porque eu vou chegar. Porque lá atrás, num tempo tal, você fez isso...” Não. Não tem nada disso.

A justiça impõe de fora para dentro, ela pode precipitar acontecimentos, não espera pedir, chega e faz. 

E na hora que tem que bater, bate, pois tem que se cumprir a lei. Ou seja, cumpriu o período, chegou a hora, a pessoa enfrenta, com choro ou sem choro. Isso é justiça, e ela pode entrar tranquilamente em um processo de equações e projeções matemáticas.


E se a justiça impõe de fora para dentro, o amor espera de dentro para fora. O amor tem que aguardar, ele espera! Porque o amor apresenta uma característica de espontaneidade. Ele tem que ser aceito, não tem como ser socado dentro da gente, ninguém pode ser obrigado a amar.

Em amor nenhum de nós pode ser forçado a amar, esse é um processo que tem que se ouvir na intimidade do coração, na alma, razão pela qual é preciso adesão interna, é questão manifesta de dentro para fora.

O Cristo disse “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Ele não designou lugar, não traçou condições, não estatuiu roteiros nem especificou tempo, prometeu simplesmente o conhecimento à verdade, e para acesso à verdade cada um tem o seu dia.

A vida pede muito discernimento e cada palavra tem a sua ocasião, como cada revelação o seu tempo. E muitos não alcançaram o domínio próprio, não possuem as emoções, antes são possuídas por elas, estão preparados para a consolação, não para a verdade.

E somente são dignos da verdade plena os que se encontram plenamente libertados das paixões, é preciso ter bom senso para saber quando se efetivamente deva investir.

E nem sempre vamos conseguir ajudar quem objetivamos. Não adianta nós atropelarmos o mecanismo evolucional, temos que esperar o momento de decisão das pessoas. Pois ninguém está aqui para desativar o funcionamento da lei, não podemos violentar quem quer que seja.

Em muitas circunstâncias, o companheiro que queremos ajudar se mostra sob o domínio de enganos tão extensos que a forma de ajudá-lo é esperar que a vida lhe renove o campo do espírito.

Nós não podemos interferir em um sistema de vida de alguém que ainda é o sistema de vida eleito por ele. Não podemos tirar alguém da vida que ele está vivendo para tentar colocá-lo em uma vida, uma pseudo-vida que ele não vai se adequar, não vai se situar.

Enquanto a vida de alguém for aquela que ele elegeu não há porque alterá-la. Assim, não será caridade o ato de dar aos que não querem receber, ninguém poderá ajudar aquele que se desajuda. Isso tem que ser bem compreendido.

Precipitando acontecimentos as situações não são alcançadas, o elemento complicado é retirado do nosso lado se não tiver condições de descomplicar-se. A misericórdia, em geral, se direciona ao encontro daqueles que estão levantando bandeira da reparação.

Salvação só é importante para os que desejam salvar-se, toda aquisição sem esforço é caminho para derrota, parâmetros de atendimento espiritual não podem atropelar as disposições humanas.

Logo, em muitos casos a dor funciona como medida de auxílio nas corrigendas indispensáveis. Razão pela qual não se pode desconsiderar a dor que instrui e ajuda transformar o homem para o bem. 

Não que o criador estabeleça prerrogativas injustificáveis, ele não espera por nossas rogativas para nos amar, pois sua proteção se estende a todos indistintamente.


Mas nem todos recebem este amor, muitos se fecham no egoísmo e na vaidade, envolvendo o coração em sombras densas.

E quando as almas reencarnadas se revelam impermeáveis ao reconhecimento e à compreensão, distanciam-se os espíritos superiores delas, naturalmente, ainda que encerrem para eles valiosas jóias do coração, até que se integrem no conhecimento das leis de Deus e se disponham a segui-las na companhia deles.

Já os maus, que parecem felizes na própria maldade, são aqueles sofredores perversos e endurecidos de todos os tempos, que apesar de reconhecerem a decadência espiritual de si mesmos criam perigosa crosta de insensibilidade em torno do coração.

Desesperados e desiludidos, abrigando venenosa revolta, atiram-se à onda torva do crime até que um novo raio de luz lhes desabroche no céu da consciência. Misericórdia e compaixão não faltam em hipótese nenhuma.

E entendamos que é preciso uma proposta operacional da nossa parte, porque da parte de lá para cá, por misericórdia, não pode haver violência. 

Jesus, efetivamente, é aquele que vem ao nosso encontro, mas só é capaz de nos ajudar se de nossa parte houver uma abertura no plano da percepção.


Agora, ante o nosso desânimo e a nossa indisposição nós vamos notar que praticamente permanecerá a espera, no plano espiritual, das nossas decisões pessoais.

Os gênios celestes podem trazer o mais belo e eficiente socorro aos espíritos da sombra, mas segundo a lei eterna os necessitados só podem receber os divinos benefícios se estiverem dispostos a aderir, por si mesmos, aos trabalhos do bem.

E quando a sinceridade e a boa vontade se irmanam dentro de um coração faz-se no santuário íntimo a luz espiritual para a sublime compreensão da verdade.

Se tivéssemos que dar uma definição de misericórdia, embora imprecisa, diríamos que ela é o fio, a vibração invisível que liga Deus aos infelizes sob o limiar da esperança.

Ela liga aquele que apresenta capacidade de auxiliar com aquele em predisposição de receber. E essa é a palavra chave a ser entendida: predisposição.

A liberdade interior é apanágio de todos os filhos da criação, e não é possível organizar precipitados serviços de socorro para todos os que caem nos precipícios dos sofrimentos por ação propositada, com plena consciência de suas atitudes.

É indispensável nos colocarmos em determinada posição receptiva a fim de compreendermos a infinita bondade. Porque a própria capacidade nossa de perceber o que vem do alto depende de uma preparação interior. 

Jesus trabalha, como cada um de nós, com os elementos que emergem. E sabe por quê? Porque enquanto alguém está na treva densa (e vibra), a treva é luz para ele.


Logo, se queremos evoluir preparemo-nos, temos que ajustar a nossa linha íntima para podermos entrar no plano e faixa de vibração.

Primeiro, a construção do receptáculo, em seguida, a bênção. E os espíritos de luz não entram no abismo para precipitar a evolução, mas acolher os que se encontram em predisposição de receber. Objetivam atender quem estava com a luz e ela apagou.

É razoável, portanto, que as missões de auxílio nos abismos recolham apenas os predispostos a receberem o socorro elevado.

Aos outros não faltarão providências de Jesus em outra parte, e não há outro recurso para certas criaturas senão deixá-las nos precipícios das trevas, onde serão naturalmente compelidas a reajustar-se, dando ensejo a pensamentos dignos. É assim que funciona,...


O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap 9 - A Caridade - Parte 1



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