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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A PAZ QUE CRISTO QUER NOS DAR






A verdade é que a simples lembrança de Jesus dulcifica
os sentimentos e harmoniza o turbilhão mental.
Alerta

- Joanna de Ângelis/
Divaldo Franco - 7ª ed.
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Evangelho: Jo 14,27-31ª


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.

28 Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.

29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

30Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

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Continuamos a acompanhar o “discurso” de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17).

Ao se despedir de seus discípulos, Jesus lhes dá a sua paz: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não vo-la dou como o faz o mundo. Que o vosso coração não se perturbe nem se intimide” (v.27).

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Paz (shalom, em hebraico, ou eirene, em grego) é uma fórmula ancestral e tradicional de saudação e de despedida entre os orientais até o dia de hoje. 

Os judeus na atualidade se saúdam com “shalom” (paz), ou se perguntam: “mi shelomkha?” (Como está?) que literalmente pode ser traduzido “como está tua paz?”. Ao se despedir se desejam shalom u-berakhah (paz e bênção).

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Paz (shalom) que é a saudação habitual entre os judeus tem uma grande densidade de significado, pois este termo não significa apenas a ausência de conflitos ou a tranqüilidade da alma, mas também a saúde, a prosperidade, a felicidade em plenitude.

A palavra “Shalom” talvez possa ser traduzida com uma expressão que todos nós desejamos aos outros: “Tudo de bom”. “All the best” para os da língua inglesa.

Desejar a paz significa desejar tudo de bom para o próximo. Desejar “shalom” é desejar a alguém uma harmonia com tudo, com todos e com o Todo por excelência que é o próprio Deus.

Ao se despedir dos discípulos, Jesus não lhes deseja a paz, mas ele lhes dá a paz: “Eu vos deixo a paz”, e insiste: “Eu vos dou a minha paz”.

Que tipo de paz que Jesus quer oferecer aos discípulos e a todos nós? Não se trata de um simples augúrio de paz, mas de um verdadeiro dom.

A paz é um dom, vem do alto: não surge da decisão do homem. Por isso, não pode reduzir-se ao nível de sentimento. Trata-se de uma palavra que salva, que vai à raiz, lá onde está a origem da verdadeira paz (a origem do mal).

A paz de Jesus tem como efeito banir/expulsar do coração dos discípulos todo e qualquer resquício/resíduo de perturbação ou de temor que leva ao imobilismo.

Possuindo o dom da paz de Jesus, todos os seguidores de Cristo devem manter-se imperturbáveis, sem se deixar intimidar diante das dificuldades.

Assim pensada, a paz de Jesus consiste numa força divina que não deixa os discípulos rompam a comunhão com Jesus. É Jesus mesmo, presente na vida dos discípulos, sustentando-lhe a caminhada, sempre disposto a seguir adiante com alegria, rumo à casa do Pai, apesar das adversidades que deverão enfrentar.

Dizendo “vai em paz”, Jesus cura a hemorroíssa (Lc 8,48) e perdoa os pecados à pecadora (Lc 7,50). A paz de Jesus nasce da vitória sobre o pecado e suas conseqüências.

A paz de Jesus funda-se no amor fraterno e na justiça. A paz de Jesus, por isso, rejeita toda espécie de idolatria que coloca criatura no lugar de Deus e submete o ser humano a um regime de opressão. João enfatiza que Jesus é o mediador da paz; é neste sentido que Jesus a qualifica de “minha”.

Os verbos estão no presente, sublinhando, assim, a realidade atual e a duração indefinida do dom. O Filho dispõe a paz que, segundo a Bíblia, só Deus pode conceder. A paz caracteriza os tempos messiânicos (Sl 72,7).

O Messias tem por nome “o Príncipe da Paz” (Is 9,5s). A aliança escatológica é uma “aliança de paz” (Is 66,12). Todo o NT se mostra herdeiro dessa Tradição para acentuar a reconciliação com Deus (At 10,36; Rm 5,1;Ef 2,14-17;Cl 1,20 etc.).

“Mas não dou a paz como o mundo a dá”, disse Jesus. Em que consiste a paz do mundo?

A paz que o mundo oferece prescinde de Deus e se funda num projeto contrário ao dele. Aí, se encontram a injustiça, a concentração de bens à custa da exploração alheia, o desrespeito pelo ser humano.

É o império do egoísmo que idolatra pessoas e coisas, e transforma os indivíduos em seus escravos. Por isso, é uma paz que conduz à morte eterna.

Segundo o mundo, para ter paz todos tem que se preparar para a guerra. “Si vis pacem, para bellum!” (expressão latina). “Se desejas a paz, prepara-te para a guerra”. “Devemos amar a paz sem odiar os que fazem a guerra”, dizia Santo Agostinho (Serm. 357,1).

Quando o homem esquece o seu destino eterno, e o horizonte de sua vida se limita à existência terrena, contenta-se com uma paz fictícia, com uma tranqüilidade exterior. Jesus qualifica este tipo de paz como a paz que o mundo dá.

Recuperar a paz perdida é uma das melhores manifestações de nossa caridade para com os que estão à nossa volta. Onde houver amor também haverá a paz.

Com efeito, a verdadeira paz é o fruto do amor a Deus e ao próximo.

Deus em quem acreditamos é um Deus da paz; não quer a desordem, a rebelião ou tumulto.

Deus está pela ordem como estada normal das coisas, e esta ordem equivale à paz. É o mesmo Deus que na cena da criação põe ordem no caos inicial (Gn 1,1ss), dando a entender que “criar” é em primeiro término ordenar o caos inicial, separando o céu da terra etc. para evitar a confusão.

A paz, entendido neste sentido, se apresenta como estado normal das coisas onde cada uma ocupa seu devido lugar.

Quando cada elemento ocupar seu próprio lugar haverá a ordem e conseqüentemente haverá a paz.

“A paz é a tranqüilidade da ordem”, dizia Santo Agostinho.

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Para refletir:


“A fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional.

A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura.

E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças, sobretudo, às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe.

A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor”


(Papa Francisco: Mensagem Para a Celebração Do XLVII Dia Mundial Da Paz De 2014).

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Depois do Pai-Nosso se dá a paz. Que grande sacramento se esconde nesse rito. Deixa que teu beijo seja a expressão de teu amor. Não sejas Judas, que beijou Cristo com os lábios, mas já o havia traído em seu coração


(Santo Agostinho: Serm. Dennis 6,3).

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Por P. Vitus Gustama,svd

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